Boato de que é preciso cortar bebidas alcoólicas antes e após imunização da Covid-19 surge nas redes e até nas salas de vacinação. “Se a pessoa tem uma vacina agendada e, depois, vai fazer um almoço e consumir bebida alcóolica, pode fazer as duas coisas”, diz médica da Unicamp.
Desde o começo da vacinação contra a Covid-19 aqui no brasil, em janeiro, uma das dúvidas que logo surgiu e, rapidamente, se espalhou foi em relação ao consumo de bebidas alcoólicas por quem vai tomar ou já tomou a vacina.
Um vídeo viralizou nas redes quando um idoso, ao receber o imunizante, perguntou a uma enfermeira do Pará em quanto tempo ele poderia consumir bebidas alcóolicas. Ela recomenda 30 dias. A prefeitura de Belém confirmou o episódio, mas a Secretaria Municipal de Saúde diz que que a orientação correta é a de que os vacinados evitem o consumo de álcool entre 24 e 48 horas, por causa de possíveis efeitos colaterais.
Boatos e fake news estão circulando nas redes sociais e em diversos posts. As pessoas mostram preocupação com a ingestão de álcool e a suposta anulação do efeito protetivo da vacina.
“Eu tomei a primeira dose da vacina da Aztrazeneca, cheguei em casa e fiquei com dúvida se eu podia consumir uma taça de vinho até para comemorar… se ia dar alguma reação ou corte do efeito da vacina”, disse a aposentada Izabel Ferreira de Lima Xavier, de 67 anos.
De acordo com os principais órgãos de saúde ouvidos pela equipe de reportagem, não há evidências que comprovem a relação entre o consumo de bebida alcoólica e a ineficácia da vacina contra a Covid-19.
“Não é empecilho. Se a pessoa tem uma vacina agendada e, depois, vai fazer um almoço e consumir bebida alcóolica, pode fazer as duas coisas. É só não dirigir quando for beber, mas pela vacina não tem problema nenhum”, afirma a infectologista da Unicamp, Raquel Stucchi.
É preciso evitar o consumo de bebida alcoólica antes ou depois de tomar vacina contra a Covid-19? Não, mas a ideia de que é necessário cortar o álcool no período de imunização é um mito que tem se espalhado nesta campanha, constata a médica Mônica Levi, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
A entidade, que inclusive ajuda nas decisões do Programa Nacional de Imunização (PNI) junto ao Ministério da Saúde, não tem qualquer recomendação neste sentido.
Também não há nada a respeito nas bulas de ambos, afirma a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão responsável por avaliar e liberar os produtos no país. A reportagem consultou ainda o Instituto Butantan, que produz a CoronaVac, a Fiocruz, responsável pela Covishield, e o Ministério da Saúde. Todos afirmam que não há por que se preocupar.
“Não há nenhuma evidência sobre a relação do álcool com o comprometimento da formação de anticorpos promovida pela vacina Covid-19”, diz a pasta, em nota enviada por sua assessoria de imprensa.
Da Redação