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A AMAZÔNIA É INDEFINIDA!

Quem jamais contemplou o horizonte verdejante que se descortina sobre uma imensidão de águas doces, negras, amareladas, barrentas e alvas ao mesmo tempo, – formando o imperador dos rios do Universo, – o Amazonas, não poderá dizer nada sobre essa beleza incomparável construída por Deus, quando inventou a Amazônia, tornando-a uma Região Indefinida. Nem poderá dizer tampouco do prazer visual de uma paisagem incomum entre uma floresta tropical sem fim, e os infinitos estuários da maior bacia hidrográfica do mundo, subjugados pela força de uma natureza invencível. Quem nunca esteve presente até hoje, neste cenário que forma um céu de muitas estrelas, permitindo ao mesmo tempo, observar as nuvens que se formam às vésperas de ensaiar as grandes tempestades capazes de enfurecer as águas mansas do rio e torná-las tão onduladas quanto às ondas dos oceanos, não pode imaginar a visão maravilhosa da piracema, da pororoca, nem sabe nada sobre enchentes e vazantes, – bailarinas que se movem sob o impacto das chuvas e diante das determinações das águas marítimas arremessadas da Cordilheira dos Andes, no Peru.

Se aprofundarmos uma pesquisa histórica, vamos chegar à conclusão de que nem mesmo a Roma antiga do colossal Júlio César, ou a Grécia dos filósofos e poetas foram tão amadas, discutidas, cobiçadas e decantadas do que a Amazônia Brasileira. Os amantes da Amazônia multiplicam-se dia e noite, mas poucos merecem essa designação, pois alguns, desconhecem o seu solo. E não há dúvida de que o sentimento que pulsa no coração de um amante da Amazônia, não sendo filho da terra, jamais poderá ter a mesma intensidade, a sensibilidade, o ardor e a chama de amor telúrico, que impulsionam o coração de alguém nascido e criado no solo amazônico. Não se pode querer de um alienígena, que o seu sangue seja da mesma cor do sangue tupiniquim que passeia no corpo dos caboclos nascidos na Amazônia, seja esse sangue mais puro ou menos puro.

Impossível encontrar na voz de quem não nasceu na Amazônia, o sotaque nheengatu do historiador Mário Ypiranga Monteiro; contemplar nas cores da natureza, as aquarelas vibrantes expostas nas paisagens coloridas da região, pelo artista caboclo Moacir Couto de Andrade; testemunhar a paixão imensurável de um leal filho da terra, como o amazonólogo Samuel Isaac Benchimol e, nem poderá imaginar que oradores diferentes, podem descrever a natureza amazônica, com o mesmo talento de um Bernardo Cabral. Jamais encontraremos na prosa ou na poesia de qualquer artista das letras, a vibração de amazonenses como João Mendonça de Souza, Carlos de Araújo Lima, Thiago de Mello, quando defendem essa pátria verde, cheia de mistérios e fascínio. Dessa estirpe tivemos ainda, os saudosos, Leandro Tocantins, Mavignier de Castro, João Nogueira da Mata, João Chrysostomo de Oliveira, Manoel Bastos Lira, Djalma da Cunha Batista, Arthur Cezar Ferreira Reis e outros integrantes de um exército desaparecido de nosso convívio.

O mundo perverso substituiu o mundo romântico. A tecnologia despreza a arte, porque adora o conforto e torna o mundo menos humano. A internet favorece os que não criam e apenas copiam, infelizmente.  Mas, em verdade, estamos no contexto de um mundo elevadamente científico, onde a verdade está em campo aberto; e num processo tecnológico, onde a máquina corrige as falhas humanas, mas não deixamos de permanecer num universo, onde o homem continua humano, onde o cérebro repleto de sabedoria agasalha milhões de emoções e o coração rebenta esse cérebro, se não as controla. Esse processo que fortifica a vida é o mesmo processo que a enfraquece. Nunca, pois, foi tão necessário cultivar o cérebro e abrandar o coração.

E não nos devem intimidar declarações estapafúrdias de poderosos grupos econômicos mais desenvolvidos do planeta. Eles invadem a Amazônia por meio de suas teses agressivas e ilusórias, conquistam espaços em nossas terras sem pisá-las ou conhecê-las. Querem usufruir da felicidade da natureza bela e farta, passando ao largo do sofrimento das distâncias, das doenças tropicais disseminadas pelos insetos, que ao mesmo tempo nos matam e nos protegem. Desconhecem as vicissitudes que essa mesma natureza misteriosa impõe ao homem que ela gera e pune, mesmo quando esse homem, na sua inocência, a preserva com intuição divina, amor e com o sacrifício da própria vida.

Os conquistadores sutis, estrategistas silenciosos, donos de um mundo conquistado com a riqueza mesquinha e jamais distribuída, querem tomar posse da Amazônia, dando a impressão de agir legalmente, mas na calada da noite e contanto com a conivência dos criminosos apátridas e sem civismo, onde, infelizmente, encontramos alguns jornalistas brasileiros, passando-se, falsamente por defensores. E os invasores de nossa soberania ingressam na Amazônia sem quaisquer censuras ou vigilância, negociam as terras que já conhecem, por meio de mapeamentos adquiridos com a espionagem facilitada pela tecnologia das grandes potências, por meio de algumas organizações não governamentais e conseguem o que pretendem

O jornal Diário do Amazonas publicou na edição do dia 8 de janeiro de 2007, que o invasor Johan Eliasch, da Suécia adquiriu por compra, cento e sessenta mil hectares de terras, no município de Manicoré, apossando-se de uma área equivalente a 210 mil campos oficiais de futebol O senhor Johan comprou praticamente uma nova Suécia dentro da Amazônia, para gozar a sua fortuna. Por que essa alienação, para estrangeiros, não se torna nulas, quando não houver antes, uma autorização do Congresso Nacional? Será tão difícil proteger nossas riquezas naturais usando-se a própria legislação existente? Até quando os apátridas vão construir outras pátrias para os que invadem a Amazônia? O Exército Brasileiro, a Marinha e Aeronáutica realizam um trabalho excepcional de proteção de nosso solo, subsolo, terra, ar e água. O governo federal deveria dar autonomia às nossas briosas Forças Armadas para coibir essas negociações impatrióticas. Por que o senhor Johan não comprou estes 160.000 hectares de terras nas caatingas do Nordeste brasileiro? Lá, inclusive o governo brasileiro poderia conceder incentivos fiscais para a implantação de indústrias, até mesmo cassinos, áreas de lazer, parques temáticos, centros de turismo e outros empreendimentos capazes de povoar e fertilizar tanta terra de gente sofrida com as secas, doenças e outras mazelas.

Da Redação:

Gaitano Antonaccio para o Portal Voz Amazônica e para a Rádio Cultural da Amazônia

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