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A CPI DA PANDEMIA E A FARSA ANUNCIADA

Meus amigos, confesso para vocês que eu gostaria muito de “falar de flores”, de temas amenos, introspectivos e que dessem ensejo a reflexões no sentido da reconstrução do ser humano, como, aliás, tenho feito na maior parte do tempo nos últimos anos.

Penso que a maneira mais eficiente de melhorar o mundo consiste, antes, em buscar a nossa própria melhoria, posto que renascidos, restaurados, amadurecidos e, sobretudo, espiritualizados, poderemos entender o que sentimos, reordenar o nosso agir e, desse modo, contribuir efetivamente para o bem da sociedade. Tenho batido tanto nesta tecla, que já tenho material para mais de três livros…

Agora, perdoem-me, mas ficar calado seria pecar por omissão e, apenas por isso, eu peço licença para falar novamente de política, da má política, tema que, sei, muito tem incomodado não apenas a mim, mas também milhões de brasileiros, confinados em casa, que veem os facínoras, de forma acintosa, começar uma escalada aparentemente irresistível para a retomada do poder, para nossa desgraça.

A CPI da pandemia é uma dessas excrescências que somente o que há de pior no Brasil poderia conceber. Primeiro, pela origem da requisição de CPI, carimbada para coonestar com uma narrativa de oposição de que a culpa pela Covid é do governo federal, quando todos sabem, até as pedras, que, se há culpados, estes são alguns governadores e prefeitos, aos quais coube, por determinação do defectível STF, coordenar as ações em todo esse tempo, deixando ao Planalto tão só e simplesmente o repasse de verbas e de vacinas. Ainda bem que, depois, o escopo da CPI foi ampliado. Segundo, instalação, que não se deu de forma espontânea, como deveria ser, mas por ORDEM do ministro Luís Roberto Barroso, do dito STF, usurpando, no meu entendimento, competência do Senado, o qual, por sua vez, se deixou violar de maneira vergonhosa. Terceiro, a composição da CPI, meu Deus, com membros que devem mais à justiça do que quaisquer outros e que não têm a mínima condição de julgar ninguém… Uma farsa, enfim, que precisa ser denunciada. Faço minhas as palavras do pastor e ativista dos direitos civis Martin Luther King: “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, sem ética. O que me preocupa é o silencia dos bons”. Não sejamos, amazonenses, acusados por esse crime e não tenhamos essa mácula em nossa consciência.

Enquanto “dormíamos”, enquanto ficávamos em casa, os “caras” foram avançando, prendendo quem ousava criticá-los; acabando com a “Lava-Jato”, restituindo elegibilidade aos condenados; interferindo nos demais poderes; preparando o cenário, enfim, para aquilo que temos de pior; impedindo o presidente eleito por mais de 57 milhões de votos de governar… E nós, com medo, claro, assombrados, não esboçamos nenhuma reação. É um erro, um tremendo erro. Uma praga muito pior do que a pandemia de Covid-19 nos aguarda.

Da Redação:

Júlio Antônio Lopes para o Portal Voz Amazônica e para a Rádio Cultural da Amazônia

 

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