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A CPI E A FARSA

Mansour Challita conta no livro “A arte da política” que Disraeli, então primeiro-ministro da Grã-Bretanha, certa vez foi instado a fazer a diferença entre uma desgraça e uma calamidade, tendo respondido: “Se Gladstone – seu adversário – caísse no rio Tâmisa, isso seria uma desgraça; mas se alguém o salvasse, isso seria uma calamidade”.

O mesmo e guardadas as devidas proporções e momentos históricos, é possível dizer da mal ajambrada CPI da Covid-19. Se o fato de ser instalada por ordem do STF constitui uma humilhação e uma desgraça para o Senado, a sua composição, com raras exceções, por qualquer ponto de vista, é uma calamidade… Como dizem os jovens, “de boa”, para investigar alguém, o mínimo que se pede é que o investigador seja isento e não tenha esqueletos no armário, porquanto suas conclusões, quaisquer que sejam, não terão nenhuma credibilidade.

Essa CPI, repito, é uma excrescência, uma farsa, uma ópera-bufa, cuja intenção é apenas criar uma narrativa para imputar uma falsa responsabilidade ao Presidente da República, ao tempo em que figuras de oposição ou excluídas dos holofotes nos últimos tempos tenham um palco para fingir que trabalham em prol da população. E gastar, mal gastar, o dinheiro da República, eis que uma CPI envolve sempre altos custos. Sem falar na oportunidade, totalmente inapropriada, quando precisamos de paz e de união para vencer a pandemia, como inclusive já verbalizou o presidente do Senado Rodrigo Pacheco, os “caras” criam este elemento de instabilidade.

Nós sabemos que historicamente CPIs, no Brasil, pouco ou nada significam. Os parlamentos, em especial a Câmara dos Deputados e o Senado, com perdão da palavra, ressalvados alguns bons nomes, estão completamente desacreditados para apontar o dedo a quem quer que seja. Cá pra nós, eu confio mais na ação do Ministério Público para investigar e tentar encontrar culpados pelo mau uso das verbas públicas, o que já vem fazendo, aliás, pelo país afora, do que em qualquer outro órgão ou agente, conquanto, vale registrar, não seja infalível, embora possua quadros preparados, competência e estrutura adequada para fazê-lo.

A população, embora mantida em casa, não é formada por imbecis, como pensam os maus políticos, alguns próceres do STF e a “grande imprensa” tradicional, ávidos em querer reconduzir ao poder aqueles que destruíram, pela rapina, a nação, posto que não conseguem viver sem o jorrar das verbas oficiais. O povo está vendo tudo, calado. E saberá responder, creio eu, no momento devido.

O ideal é que cada homem público fosse um fiel servidor dos interesses dos cidadãos, um sacerdote da ética e um exemplo a ser seguido. No Parlamento, porém, é difícil separar os homens capazes, dos homens capazes de tudo, segundo a eterna lição de Béraud. “Façamos nós, portanto, a separação do joio do trigo”.

Da Redação:

Júlio Antônio Lopes para o Portal Voz Amazônica e para a Rádio Cultural da Amazônia

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1 comentário
  1. Luiz Lauschner Diz

    Neste país, quando você tenta uma análise ilibada, como a sua neste artigo, corre o risco de ser rotulado por tomar partido de uma pessoa. As pessoas inteligentes sabem que a justa posição sobre esta CPI, que começou com a ingerência entre poderes, não é uma posição sobre esta ou aquela pessoa. Ela nunca pode ser comparada as CPIs instaladas por motivos sérios como a que depuseram Dilma e Collor. Esta é por motivos vis, como, infelizmente o são a maioria das atitudes dos parlamentares. Disseste bem: o dinheiro gasto (leia-se desperdiçado) com esta CPI fará parte de mais um ônus que pesará sobre os contribuintes.

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