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A DOR E O SILÊNCIO

Neste canto, que em duas semanas usei para gritar pelo início da imunização de profissionais da saúde e de idosos, integrantes dos chamados grupos de risco para contaminação pela doença que há mais de ano atinge todos os quadrantes do planeta, com o uso das vacinas para aqui encaminhadas pelo governo federal, até por força de gesto humanitário, de dignidade ímpar, de governadores de outros estados, quero hoje firmar minha homenagem às vítimas fatais dessa pandemia, no mundo inteiro, separando irmãos, causando viuvez, orfandade e perda definitiva de amigos, colegas e até só conhecidos, provocando dor impossível de ser traduzida com os sinais gráficos de qualquer idioma.

Minha crença é que outra vida há de ter começado para cada um, em planos distintos cuja caminhada lhes há de proporcionar o crescimento espiritual, em colônias de aprendizado, de aperfeiçoamento e de doutrinação, mas a saudade, a dor da separação, o “nunca mais” físico aqui deixado, o silêncio do sempre, tudo isso há de se ter operado na humanidade e a vida dos que que aqui ficaram já não é mais igual e somente a fé na força superior do Pai onisciente é capaz de fazer suportar o escuro que se fez com a partida.

Solidário, também atingido pelo vazio, lágrimas nos olhos e no coração, peço permissão para tentar traduzir o sentimento com uma quase poesia, assim:

SILÊNCIO

Há silêncio que intriga,
bem mais que qualquer grito
e na verdade instiga
a pensar no que não dito.
Há sentimentos que calam
gestos que por si falam
olhares que até abalam
o que se possa pensar,
um silêncio eloquente
atinge a alma da gente
pode até fazer chorar.
Há silêncio na partida
de quem deseja ficar
lágrimas de despedida
são forma de gritar
dor de não querer ir,
medo de não voltar,
pedido pra não partir
por não querer separar.
Há silêncio na chegada
de quem não queria vir
não tem abraço, nem nada,
é impossível sorrir
deseja na mesma pegada
de novo se despedir.
Há silêncio explosão
de mágoa no coração
que cala pra não dizer
quanto é doído sofrer,
que traz lágrima guardada
dentro da alma bem fundo
e faz bem disfarçada
uma dor de amor profundo
que o próprio peito quer crer
ser a maior dor do mundo.
Há silêncio com a morte
de alguém muito querido
é talvez a dor mais forte
o grito mais contido
que não se consegue gritar
sem força até pra chorar.
Por isso tudo que sinto
fico em silêncio, não minto,
por não mais saber falar.

Da Redação: Lourenço Braga para o Portal Voz Amazônica e para a Rádio Cultural da Amazônia 

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