Portal Voz Amazônica

A LEI DA RECIPROCIDADE

Dia desses, eu conversava com um amigo – eu gosto de conversar, sobretudo de ouvir – o qual me reclamava que, durante a pandemia, recluso, resolveu utilizar-se mais frequentemente das suas páginas de Instagram e Facebook, bem como dos aplicativos de mensagens instantâneas, como o Whatsapp, para interagir com as pessoas e quebrar o tédio da solidão.

Ele se esforçou em comentar, aplaudir, congratular e até manter uma certa regularidade nos próprios posts. Estava, porém, decepcionado, porquanto, disse-me, era gentil com as publicações alheias, mas, em troca, não recebia nem um “joinha” – o “joinha” é aquele emoji de um polegar pra cima – como resposta. Por isso, completou, diante do descaso, não usaria mais esses mecanismos, a não ser de forma excepcional e estritamente com sua família. Perguntou-me o que eu achava de sua decisão.

Eu lhe respondi que relações sociais não se igualam à matemática. Ao contrário, cada um de nós é um universo, tem suas idiossincrasias, vive suas circunstâncias (boas e más) e que, portanto, podem ser vários e justificáveis os motivos para que, em determinado momento, não nos tenham agraciado do modo que desejávamos. Pode ser uma deselegância, pode, mas devemos ser o que somos, manter íntegros os nossos sentimentos, as nossas iniciativas e procurar, sempre, expressar o bem, o belo e o justo, sem esperar o mesmo de volta.

Claro, é bacana, é lindo, é gostoso e nos enche de ânimo quando alguém, seja presencial, seja virtualmente, nos contempla com a sua atenção. Sinal de que andamos na mesma sintonia, que inspiramos respeito e amor fraterno. É o ideal, mas o mundo, infelizmente, não é feito de ideais. É necessário que entendamos tal coisa e procuremos ser o oposto daquilo que nos desagrada. O grande Francisco de Assis já ensinava: “É dando que se recebe”. Cuidado, portanto, com o recado que os seus gestos (ou não gestos) mandam, pois, e quanta verdade há nisso, você receberá de volta, por uma lei cósmica, eterna e imutável, exatamente aquilo que emanou!

Sempre digo aos meus filhos – e repeti ao meu amigo – que este planeta, além de sua conformação física, é constituído por milhões de energias. Energias boas e energias ruins. E elas se procuram. Somos antenas emissoras e, ao mesmo tempo, receptoras. A lei da reciprocidade trará para as nossas vidas uma coisa ou outra.

Por fim, lembrei ao meu amigo de duas atitudes que ele poderia tomar. A primeira, por paráfrase de Gandhi, que não podemos esperar que os outros mudem, mas devemos, isso sim, ser a mudança que queremos ver no mundo. A segunda, seria fazer como ensinou Menotti del Picchia, no lindo poema intitulado “Juca Mulato”, para exemplificar o modo pelo qual se deve reagir quando nossas afeições não são correspondidas: “Esquece, calmo e forte. O destino que impera, um recíproco amor às almas todas deu. Em vez de procurar esse olhar que te exaspera, procura esse outro olhar, que te espreita e te espera, que há, por certo, um olhar que espera pelo teu”. Isso é o que importa: dar o que temos. Se é luz, que a luz seja dada. Jamais, porém, sejamos abismos ou escuridão.

Da Redação:

Júlio Antônio Lopes para o Portal Voz Amazônica e para a Rádio Cultural da Amazônia

você pode gostar também
Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.