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A literatura de Pedro Lucas Lindoso: um escritor das crianças e dos velhos, e também dos entremeios cronológicos

Na casa de Pedro Lucas Lindoso há arte em todos os cantos, contudo, a sua maior e mais esmerada obra reside na sua própria literatura. Ele é um sujeito tímido, ético, meticuloso, e é um escritor muito versátil, que escreve para públicos de todas as idades, percorrendo o infantil, o poético, o crônico, chegando ao romanesco. E um ‘cabôco’ atento às questões éticas e deontológicas em sua escrita.

Naquela aconchegante simplicidade que há na casa de Pedro Lucas Lindoso, encontramos um farelo de cada canto do mundo; um pedacinho de cada signo citadino e global… É, parece mesmo que há bastante deste mundo ali dentro daquele apartamento. Porém, do mundo amazônico, há até demais ali! A equipe do PVA foi lá para entrevistá-lo, em mais uma garganta de noite de sexta-feira, dessas que o Programa “Autores da Amazônia” – da Rádio Cultural da Amazônia e do Portal Voz Amazônica – arriba as suas tralhas para “fuçar” a literatura local, e cai no oco do mundo em busca de testemunhos eternos que existem no grande panteão dos senhores das letras amazônicas.

A família, a arte e a literatura são as marcas realmente mais edificantes de Pedro Lindoso. | Foto: Synthia Queiroz/PVA.

A recepção dirigida à equipe do PVA merece os mais honrosos adjetivos, mas eles são muitos, demais, então, não caberiam em uma matéria apenas, e nós não os diremos, justamente pela falta de espaço aqui neste espaço. A sua digníssima esposa e maior apoiadora, a Dra. Vera Lindoso – psicóloga da mais gabaritada expertise – esbanjou a simpatia de uma mulher que comanda o barco com a sabedoria e o equilíbrio de Diotima de Mantineia. Ares de um companheirismo indissolúvel, que inspira, e que nos faz acreditar que o amor não é assim tão ‘viniciano’: talvez ele dure sim para sempre, a chama não apaga, e o amor se eterniza quando o coração ainda pulsa… Até o fim.

Mas lá, no modesto e aconchegante apartamento do escritor Pedro Lindoso, enquanto arrumávamos todo o aparato de transmissão, pudemos ver desde uma espécie de “Homem Vitruviano”, reluzindo num ouro marrom rútilo, e morando bem no meio de cristais da petisqueira, até corpos femininos tonificados pela perfeição: mulheres africanas em forma de estatuetas que ele compra por onde passa; e já andou por tantos lugares deste mundo, que nem dá conta de lembrar.

Num olhar despretensioso do entrevistador, uma espécie de “Homem Vitruviano” reluzindo num ouro marrom rútilo, e morando bem no meio de cristais da petisqueira. | Foto: Synthia Queiroz/PVA.

Eu já ouvi: costumam dizer por aí que um bom escritor deve ter uma conexão visceral com a arte universal, assim como a tem com a arte de escrever, que também é do universo humano. Acredito sim nisso, pois arte por arte, a gente irmana a vontade de produzir à contemplação dos ceróis artísticos que caem como vidros em nossos olhos, mas que não cegam, e que não saem nunca mais. Tudo é arte, tudo é artístico: a estátua, a carne, o olhar, os ossos, os jarros, os quadros, a poeira dos livros, os papeis encardidos, e as molduras ruídas que temos em todas as casas e também nos palácios velhos e novos. E que também estão no pôr do sol umbrático, mas absolutamente real, que explode lá na varanda do escritor Pedro Lucas Lindoso… Pôr do sol lindo, onde o arrebol causa espanto.

“Deusas Africanas”, entre os itens de arte que escritor coleciona. | Foto: Paulo Queiroz/PVA.

Cremos piamente que é das aventuras pessoais que o escritor extrai as suas linhas que se tornam imortalizadas. O PVA descobriu, por exemplo, que Pedro Lucas Lindoso fez o que muitos de nós se gabariam pelo resto da vida ao fazê-lo: ele conseguiu chegar à cúpula, às beiradas da abóbada do magnificente ‘Gigante do Amazonas’, o Teatro mais lindo que existe na Amazônia. E não foi sozinho: levou a filha e o genro, cujos sorrisos de contentamento se veem no retratado e perenizado momento. Entrar no Teatro Amazonas já é um encanto, imagina subir lá no telhado do colossal e assombroso prédio.

Pedro Lucas Lindoso, nas beiradas da abóbada do magnificente Teatro Amazonas. | Foto: Álbum de família / Reprodução/PVA.

Se eu tivesse a chance de realizar tal façanha, é bem provável que não quisesse mais sair dali, pois (dizem), a atmosfera de lá é mágica e aprisionadora.

Um filho da história

Mesmo tendo como uma das paixões mais relevantes viajar pelo Brasil e pelo mundo, é na Amazônia que o escritor poliforme e avô jubiloso assenta os esteios de sua vida, e é também onde ele reclina a sua literatura, que a todos enleva. Além da predileção pela arte africana (e tantas outras), Pedro Lindoso se deleita de modo especial na cultura amazônica, como um filho grato desta terra, que nasceu para escrevê-la e para descrevê-la. Nas paredes de sua casa, o PVA se admirou com a linda e primorosa obra “Paisagem Amazônica”, de Roland Stevenson, e com uma “Santa Madre”, e um “Floral do Tempo”, de Renato Araújo, estes últimos esculpidos delicadamente em madeira plana. Sinais de amor a terra. Nos inumeráveis porta-retratos, o emblema maior que dá viga à sua estrutura existencial: a família, símbolo de tudo.

Imagem da posse do ex-governador José Lindoso, pai do escritor Pedro Lindoso. | Foto: Reprodução do porta-retratos / Paulo Queiroz/PVA.

O autor é filho, avô, pai, sogro, irmão, amigo… Aliás, ele é filho de um grande baluarte da política amazonense: o nada lendário – mas notório (e saudoso) – ex-governador José Lindoso, que além de governador, foi ainda deputado federal e senador da República. Mas, nesse particular, há um paradoxo considerável em Pedro, que chama a atenção e que contrasta com a realidade atual: ele é despojado; um cara que claramente prenuncia o desapego à matéria. E os sinais nababescos de quem culturalmente está inseridos na parentela de grandes políticos, e na história da sociedade, não se acham nele. Ele é um lutador independente. Advogado de carreira, e também professor, aposentou-se há pouco tempo como causídico da Petrobrás, onde militou com afinco por quase três décadas, já tendo vindo de outros campos de batalhas registrados em sua carreira.

Detalhe central de “Santa Madre”, de Renato Araújo, esculpida em madeira plana; um dos itens artísticos da casa do escritor. | Foto: Paulo Queiroz/PVA.

A família, a arte e a literatura são as marcas realmente mais edificantes de Pedro Lindoso, que é religioso e respeitador da crença dos outros. Ele é um cidadão respeitado, e respeitável. O seu jeito principesco de ser, antagoniza-se com o seu caráter popular de se relacionar com as pessoas e com as classes sociais. Ele é membro efetivo de muitas entidades culturais veneráveis, entre as tais: o Instituto Histórico e Geográfico do Estado do Amazonas (IGHA) – das mais antigas do estado; a Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas (ALCEAR), da Academia de Letras e Culturas da Amazônia (ALCAMA), da Academia Amazonense Maçônica de Letras (AAML), a Associação Brasileira de Escritores e Poetas Pan-Amazônicos (ABEPPA), a Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas (ACLJA), e muitas outras entidades.

A quanto mais entidades destes portes o escritor Pedro Lucas Lindoso pertença, mais ele se torna um cidadão modesto e recatado, prestigiador de ‘chamamentos populares’, de movimentos sociais, de reuniões de quintais, de ocasiões palacianas, e um congraçador de gentes e de iniciativas culturais. Ele está em todas!

Escritor do povo

Na casa de Pedro Lucas Lindoso há arte em todos os cantos, contudo, a sua maior e mais esmerada obra reside na sua própria literatura. Ele é um escritor muito versátil, que escreve para públicos de todas as idades, passeando pelo infantil, poético, crônico, até o romanesco. É atento às questões éticas e deontológicas em sua escrita, e consegue explorar o imaginário da vida cotidiana, a partir da figuração simples das vivências diurnais.

Pedro Lindoso concedendo entrevista em sua casa ao escritor e jornalista Paulo Queiroz, Diretor de Comunicação do Portal Voz Amazônica e da Rádio Cultural da Amazônia. | Foto: Synthia Queiroz/PVA.

A equipe do PVA, numa conversa desembaraçada e à vontade, misturada a processos produtivos e históricos, e a risos concertantes que contagiam de prazer o trabalho, descobriu em Pedro Lindoso é dono de uma liberdade invariável. É um escritor que está desatado do ciúme, da inveja, do recalque. Em entrevista especial concedida em sua casa ao escritor e jornalista Paulo Queiroz, Diretor de Comunicação do Portal Voz Amazônica e da Rádio Cultural da Amazônia, o entrevistado autor de vários livros demonstrou que quanto mais desprendidos o escritor, o artista e o poeta forem dessas ‘patologias da alma’, mais eles serão exitosos e produtivos.

A propósito disso, Lindoso é um “Chazista” renomado (do famoso “Chá do Armando”), e um dos fundadores do Movimento “Patologia Cultural”, que nasceu para ‘tratar’ de todos nós nessa que parece ser a gênese do pós-pandemia (é o que esperamos), e que acontecerá no próximo dia 30 de abril, lá no Auditório da Ordem dos Advogados do Brasil. O movimento alude aos sintomas nada bons do afastamento dos poetas, dos escritores, dos artistas nos tempos da pandemia, e do gigantismo de uma saudade que adoece, que tortura, que mói a mente da gente. O Movimento “Patologia Cultural” também pretende trazer para o convívio salutar dos indesistíveis e dos sonhadores,  os homens e mulheres que padecem das patologias já mencionadas anteriormente.

Lindoso não para de produzir, e o faz sempre no silêncio dos pensadores plácidos, e mostra o valor de ser um escritor popular e querido. | Foto: Paulo Queiroz/PVA.

Pedro Lucas Lindoso escreve livros infantis de sucesso, como é o caso de “O Boto Cor-de-Rosa e o Jacaré do Rabo Cotó”, “A Visita dos Botos Vermelhos às Anavilhanas”, “Aconteceu em Cucuí: o Valor da Amizade”, e está produzindo a mais nova obra sobre o enaltecimento ao luar. Em caminhos de romances, o autor já produziu “Oremos Pela Guerra” e “Uma Amazonense em Copacabana”, e está para publicar a sua mais nova obra: “Crônicas da pandemia”. No campo acadêmico, Pedro escreveu “O Princípio da Informação Ambiental e a Segurança Empresarial”. Ele não para de produzir, e o faz sempre no silêncio dos pensadores plácidos, desses que inspiram outros, que acalmam muitos e que mostram o valor de ser um escritor popular e querido.

Pedro Lindoso tem várias obras autorais, mas o escritor participa também de inúmeras obras antológicas. | Foto: Paulo Queiroz/PVA.

Este é um grande cronista, que escreve semanalmente para várias fontes jornalísticas – entre as tais, o Portal Voz Amazônica (PVA), o que em muito nos envaidece. Pedro é um intelectual que empreende letras, mas que quase não comercializa suas obras, pois mais a presenteia do que a negocia. Ele atribui isso ao sentimento de desejo de ver o sorriso e o contentamento de seus leitores. Mas também isso é oriundo da timidez e do acanhamento quase incorrigíveis que moram nele, como ele próprio diz. E não obstante o escritor produzir regularmente a sua literatura autoral, ele também participa democrática e elegantemente de muitas outras obras antológicas para as quais é convidado. Ele é um leão nada voraz, mas devorador do tempo e da inspiração, produzindo sempre, escrevendo sempre. É habilidoso, dinâmico e ativo, que em nada guarda semelhança com o belíssimo e monumental “Leão Asteca” esmaltado, ‘quase-vivo’, mas estático, que junto com o seu parceiro fazem a guarda dos demais itens artísticos que adornam o tranquilo lar do escritor.

O monumental “Leão Asteca” esmaltado, ‘quase-vivo’, mas estático, que faz a guarda dos demais itens artísticos que adornam o tranquilo lar do escritor. Foto: Paulo Queiroz/PVA.

Somos gratos, em nome do Portal Voz Amazônica e da Rádio Cultural da Amazônia, pela honra de ter passado doces horas ao lado de um escritor que se define como um homem amazônico que pertence ao mundo, como um cidadão amazonense que pertence ao seu povo, e como uma pessoa que está para a amizade assim como a língua está para a poesia. São muitas obras já escritas, fora as que estão em produção, e as que ainda estão por vir. A cada tempo que se debruça sobre um texto, ele está respondendo aos seus próprios limites, rompendo as pressões do relógio, desafiando os fracassos da mente humana, e destronando o medo do futuro, coisas que vivem pregadas nos redutos mais intangíveis da cabeça de um escritor que ama escrever… Coisas que residem muito além do crânio de um poeta.

Pedro Lucas Lindoso merece a Amazônia! A Amazônia é digna de Pedro Lucas Lindoso!… Foto: Synthia Queiroz/PVA.

Pedro Lucas Lindoso merece a Amazônia! A Amazônia é digna de Pedro Lucas Lindoso!… E nesse diapasão textual, esperamos – Amém e Oxalá! – que desse arcabouço que sustenta este grande escritor, possam irromper muito mais escritos que servem de entretenimentos, recreação, e passatempo para os viventes humanos infantes, juvenis, adultos, velhos, e para os de todas as ordens cronológicas da existência humana.

Você pode assistir à entrevista no vídeo abaixo:

Da Redação:

Paulo Queiroz para o Portal Voz Amazônica e para a Rádio Cultural da Amazônia   

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