Portal Voz Amazônica

Antropofagia e canibalismo envolvem desespero, vingança e até amor, dizem especialistas. Veja 4 casos

Registro da prática, tanto ‘culinário’ quanto ritual, é extremamente antigo. Algumas tribos indígenas foram antropófagas até pouco tempo atrás. Relatamos aqui 4 casos reais de canibalismo.

Uma rápida passada de olhos pela história da humanidade é suficiente para demonstrar que o canibalismo é uma prática bem mais comum do que gostaríamos de imaginar. A gama de perversidade criativa é de estontear: antropofagia de sobrevivência, culinária, de guerra, endocanibalismo, exocanibalismo, antropofagia medicinal… basta escolher o prato. Apesar do tabu ocidental sobre o consumo de carne humana, sociedades do mundo todo, na pré-história ou em épocas mais recentes, adotaram o costume como forma de sobreviver em situações extremas, vingar-se do inimigo ou até homenagear, com grandes mostras de carinho, parentes e amigos mortos.

Gravura mostra o alemão Hans Staden presenciando o canibalismo entre os tupinambás no século XVI – Foto: Reprodução/PVA.

Durante muito tempo os antropólogos se recusaram a aceitar os relatos da Era dos Descobrimentos sobre o canibalismo entre tribos das Américas, da África ou da Oceania. Muitos apostavam que as práticas não eram reais, mas tinham sido inventadas pelos conquistadores europeus para denegrir a imagem dos povos escravizados por eles. Hoje, no entanto, existem maneiras detalhadas de determinar se o canibalismo ocorreu no passado remoto ou no presente. É que a forma de preparar e cozinhar um corpo humano deixa marcas específicas nos restos mortais, parecidas com as que existem nos ossos de animais abatidos para consumo, por exemplo.

Segundo a arqueóloga italiana Paola Villa, da Universidade do Colorado (EUA), “há o canibalismo funerário, realizado para honrar os mortos; o agressivo, que visa aos inimigos; e, é claro, o de sobrevivência, praticado em condições extremas, como acidentes e naufrágios. Na Idade Média e na Renascença, houve até o que podemos chamar de canibalismo medicinal, no qual certos remédios incluíam sangue ou outros tecidos humanos.”

Escavações em vários lugares do mundo identificaram a prática com pouca margem para dúvidas entre hominídeos, os membros ancestrais da linhagem humana. Dois exemplos famosos envolvem o Homo antecessor, que viveu na Espanha há 800 mil anos, e neandertais que habitaram a França há 100 mil anos. Nos dois casos, as populações canibais estavam em lugares ricos em recursos de caça. Portanto, seja lá o que os tenha levado a comer carne humana (ou pré-humana), desespero e falta de opções não integravam a lista.

Paola Villa escavou o sítio arqueológico francês de Fontbrégoua, de apenas 5.000 anos de idade estimada, e habitada por pastores da nossa própria espécie, Homo sapiens. E o canibalismo ficou claro de novo. “Foi totalmente inesperado. Havia muitos ossos humanos e de animais misturados, tratados exatamente do mesmo jeito. Eles estavam numa região de clima ameno e tinham seus rebanhos. Não estavam passando fome. Parece-me que foi canibalismo agressivo, decorrente de alguma forma de conflito”, diz ela.

Churrasquinho de português

Os reis do canibalismo agressivo talvez sejam os tupinambás e outras tribos do grupo linguístico tupi que habitavam o Brasil no século XVI. A ideologia tupinambá, relatada com precisão pelo viajante e militar alemão Hans Staden (que quase foi devorado por eles), tem a ver com o canibalismo como vingança e também como homenagem contra o inimigo. Numa espécie de cerimônia mágica, o devorador ganhava a força e a coragem do devorado, após um longo cativeiro em que o futuro “jantar” era bem tratado e até ganhava uma esposa temporária.

Os tupinambás comiam braços, coxas, costelas e vísceras do inimigo morto. Até as mães da tribo embebiam os bicos dos seios no sangue para que seus bebês provassem da comida humana. Outras tribos não tupis da Amazônia, como os waris, chegaram a praticar o canibalismo agressivo até os anos 1950.

Já o endocanibalismo, que envolve o consumo de membros do próprio grupo social ao qual se pertence, em geral é encarado como uma forma de manter a essência do parente ou do amigo morto perto daqueles que o amaram em vida (ele só é devorado após sua morte natural). É o que ainda fazem os ianômamis, ao comer as cinzas de seus companheiros mortos, ou o que faziam os forés, uma tribo de Papua-Nova Guiné.

Entre os forés, mulheres e crianças comiam o cérebro do morto, enquanto homens devoravam músculos ou até as fezes que sobravam do intestino grosso do finado parente. “A preocupação espiritual que eles mostravam pelo corpo do parente morto, e o desejo de incorporá-lo ao dos vivos, são similares à crença cristã da transformação do pão e do vinho no corpo e no sangue de Cristo”, compara o médico australiano Michael Alpers, da Universidade Curtin de Tecnologia. A prática acabou sendo encerrada porque transmitia a versão humana do mal da vaca louca, por causa do consumo da massa encefálica.

Antropofagia e canibalismo: curiosidades

Comunidades canibais e o ‘simplismo’ vital – Foto: Reprodução/PVA.
  • Segundo as pessoas que já experimentaram a carne humana, ela tem o sabor da carne suína. E não possui um cheiro muito específico.
  • Para algumas tribos, o canibalismo é uma questão cultural. Inclusive, comer a carne humana depois de já apodrecida é um dos costumes mais comuns.
  • A título de curiosidade, comer carne crua pode desencadear uma série de problemas de saúde. Como por exemplo, no caso da carne humana, pode ocasionar um tipo de contaminação chamada de kuru. Aliás, os sintomas mais comuns são: tremores, crises histéricas de riso, fala embaralhada, dificuldade para engolir e paralisia muscular.
  • Na Idade Média consumir carne humana era associado com tratamentos medicinais para dores de cabeça, feridas profundas, artrite e reumatismo. Além do mais, o sangue humano era consumido para o tratamento da epilepsia.
  • No período da Idade Média, os corpos de homens mortos nas batalhas eram coletados para fins medicinais. Vale ressaltar, inclusive que os corpos de mulheres virgens e homens enforcados eram considerados como mais valiosos.
  • Geralmente, a prática canibal é considerada como uma doença mental. E os canibais “modernos” são diagnosticados como esquizofrênicos ou psicopatas.
  • O canibalismo pode ser considerado uma prática viciosa. Aliás, segundo alguns especialistas, a mente de um canibal pode ficar obcecada pela vontade de comer carne humana e quando atinge o objetivo, seu cérebro é inundado de dopamina, uma substância responsável por causar intensa sensação de prazer. Por isso, pode desenvolver uma dependência.
Tipos: Endocanibalismo, Exocanibalismo, Autocanibalismo e Canibalismo de sobrevivência – Foto: Reprodução/PVA.

Primeiramente, na história, o canibalismo ficou mais conhecida entre os povos astecas, os quais já citamos aqui. Contudo, no Brasil, existem relatos históricos de que índios brasileiros, da tribo Tupinambá, costumavam praticá-lo. Além do mais, normalmente, eles utilizavam a carne humana em rituais sagrados.

Vale ressaltar, inclusive, que eles acreditavam que, ao comer a carne dos adversários mortos, eles iriam conseguir herdar a bravura, a coragem e a força do oponente em questão. Além da carne dos adversários, era comum também eles comerem a carne de alguns integrantes da sua própria tribo. Aliás, eles acreditavam que serem comidos após a morte seria um símbolo de coragem e de honra.

4 casos reais de canibalismo

1 – Georg Grossman

Vendia salsicha feita de carne humana – Foto: Divulgação/PVA.

O primeiro caso relatado ocorreu no ano de 1921, durante a crise econômica vivida pela Alemanha, após a Primeira Guerra. Consequentemente, nesse período, a carne animal se tornou um produto raro. Assim, algumas pessoas, como por exemplo, o açougueiro Gerog Grossman, procuraram por formas mais exóticas de sobrevivência.

Basicamente, o caso do açougueiro começou quando ele decidiu fabricar e vender salsichas, na estação ferroviária da cidade de Neuruppin, por um preço bem “camarada” para a época. Contudo, o que ninguém fazia ideia era que a carne da salsicha, na verdade, era carne humana.

Sobretudo, a carne das salsichas eram resultados de inúmeros assassinatos. De modo geral, Georg após praticar relações sexuais com algumas prostitutas da cidade, ele as matava, e moía suas carnes. Assim sendo, ele separava alguns quilos para consumo própria e vendia o restante em forma de salsichas. (Bizarro, não é mesmo?).

Contudo, esse meio nada humano de se ganhar dinheiro teve fim, após alguns vizinhos ouvirem gritos agudos saírem da casa de Grossman. Assim sendo, eles denunciaram e a polícia foi até a casa do açougueiro. Consequentemente, eles encontraram quatro cadáveres humanos desmembrados. Além de dezenas de dedos femininos em uma frigideira, sobre o fogão.

2- Issei Sagawa

Esse se tornou uma celebridade em seu país – Foto: Divulgação/PVA.

O segundo caso de canibalismo ocorreu em 1981, em Paris na França. O praticante de canibalismo foi Issei Sagawa, japonês, o qual fazia doutorado em Literatura Inglesa na Sorbonne, universidade parisiense. Contudo, aos 32 anos Sagawa foi internado em um manicômio, após ser responsável pela morte de uma jovem.

Basicamente, tudo começou quando ele convidou uma colega de classe para um jantar oriental em sua casa. Mas, tudo na verdade não passou de uma desculpa para praticar o ato horripilante. Na verdade o japonês matou a jovem e ainda comeu sua carne. Após um tempo internado ele foi solto. Inclusive, após ser solto, ele escreveu um livro sobre o seu caso de canibalismo.

O seu livro se chamou, In the Fog (Sob a névoa), e vendeu mais de 200 mil exemplares. Além do mais, ele foi adaptado para mangá e Sagawa ficou conhecido ainda como cult entre os leitores japoneses. Ou seja, ele se tornou uma celebridade em seu país. E para melhorar a história, ele também chegou a escrever uma coluna de gastronomia em uma revista. (Seria cômico, se não fosse verdade).

3- Jeffrey Dahmer

Ele também tinha como hábito guardar os órgãos genitais, os quais ele conservava em formol – Foto: Divulgação/PVA.

Já o terceiro caso de canibalismo, ocorreu nos Estados Unidos, em meados da década de 90. Sendo mais específico, Jeffrey Dahmer foi preso e condenado a 957 anos de prisão, em 1991, após matar e comer 17 vítimas. Sobretudo, Jeffrey abordava jovens homossexuais em bares. Assim sendo, ele os convidavam para seu apartamento.

Normalmente, seu pretexto era para assistirem a filmes pornôs, ou fazer fotografias eróticas, ou até mesmo para verem sua coleção de borboletas. Contudo, após fazer práticas sexuais com suas vítimas, ele os drogavam, e matavam estrangulados ou com golpes de faca. Em seguida, os dissecavam.

Inclusive, ele tinha o costume de guardar as carnes em sacos plásticos em sua geladeira. Vale destacar ainda, que ele separava em carnes nobres, e carnes “para comer mais tarde”. Enquanto, os ossos e a carcaça das vítimas eram dissolvidos com ácido. E já os crânios eram limpos e guardados, como uma espécie de coleção.

Além dos crânios, ele também tinha como hábito guardar os órgãos genitais, os quais ele conservavam em formol. Após, ser preso, ele foi porto por outro preso. O qual, inclusive, era esquizofrênico e dizia ser a reencarnação de Jesus Cristo.

4- Armin Meiwes

O alemão Armin usava a internet, com o intuito de achar jovens a fim de ser esquartejado e comido, em seguida – Foto: Divulgação/PVA.

Antes de lhe expor esse caso, vale destacar que ele pode ser o caso mais esquisito de todos. Sobretudo, iremos falar do caso de Armin Meiwes, ou melhor, “o canibal de Rotenburg”. Basicamente, Armin era um alemão que usava a internet, com o intuito de achar jovens a fim de ser esquartejado e comido, em seguida.

Antes que você ache ser impossível de achar, é importante dizermos que ele achou não só uma pessoa, como na verdade 430 pessoas. Inclusive, ele tinha 43 anos, era engenheiro e se chamava Bernd Jurgen Armando Brandes. Além do mais, era classificado como sadomasoquista.

Após ler o anúncio de Armin, em 2001, eles combinaram de se encontrar. Para que assim Armin pudesse cortar, comer e matar Bernd. Assim sendo, eles praticaram relação sexual, e após isso a vítima tomou dez analgésicos. Assim sendo, a primeira parte do corpo a ser cortada foi o pênis de Bernd. O qual inclusive, ambos fritaram para comerem juntos.

Mesmo Bernd ser obcecado pela dor, ele não conseguiu resistir e logo após perdeu a consciência e desmaiou. Assim sendo, Armin o esfaqueou no pescoço e em seguida o esquartejou. Após isso, Armin se alimentou com a carne de Bernd por meses. Contudo, após acabar o suprimento, ele colocou outro anúncio na internet.

Mas, dessa vez, em 2002, ele foi preso pela polícia. Após isso, ele ficou internacionalmente conhecido e foi também condenado a prisão perpétua, por ter cometido o crime de homicídio com consumo de cadáver.

Da Redação

você pode gostar também
Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.