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Armando Menezes, um “Chazista” imortal: Academia de Letras cria Movimento “Patologia Cultural” em homenagem

O objetivo do Movimento “Patologia Cultural” é, entre outras coisas, a perenização da obra e memória de Armando Menezes, e também: a expansão da cultura, a democratização dos espaços literários e culturais, a descoberta e revelação de novos talentos, o estreitamente da convivência pacífica entre os povos, e o respeito humano.

Manaus – O escritor Pedro Lucas Lindoso lacrou o sentido mais mavioso para a passagem desse grande intelectual: “Armando de Menezes foi para a outra margem do rio. Com certeza já encontrou dona Santa, sua amada mãezinha, e seus diletos irmãos. O céu está em festa. Os Menezes são sempre alegres, festivos e principalmente carinhosos”.

Poeta de desmedida estirpe, o jornalista e escritor, imortal da Academia Amazonense de Letras (AAL), Armando Menezes, morreu no dia 15 de junho de 2017, aos 91 anos, vítima de insuficiência respiratória por consequência de uma fibrose pulmonar. Armando ocupava a cadeira 30 da Academia Amazonense de Letras, que tem como patrono Araripe Junior. O imortal era autor de vários livros.

O escritor Armando Menezes foi também presidente da Academia Amazonense de Letras. | Foto: Divulgação/PVA.

Jornalista, advogado e escritor, foi líder estudantil, presidente da União dos Estudantes do Amazonas, Presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade. Vereador, Secretário de Estado, Presidente do Tribunal de Contas do Estado, professor de história, membro da Academia Amazonense de Letras (da qual também foi presidente) e do Instituto Histórico e Geográfico, publicou vários livros.

Armando Menezes, então presidente da Academia Amazonense de Letras, em atividade com o acadêmico e escritor Júlio Antônio Lopes. | Foto: Divulgação/PVA.

Obra memorialística

Com prefácio de Almir Diniz, “Casa da Dona Santa” é uma de suas grandes obras. O livro conta a saga de uma família vitoriosa e feliz, e dos amigos de infância, alguns famosos, como o também escritor Thiago de Mello. A obra é indispensável para quem quiser saber como era a vida na década de trinta, em Manaus. Os Menezes aparecem no livro, mas como coadjuvantes da Dona Santa, que faleceu com 97 anos. Ainda que centrado na parte interior da casa, Manaus transparece entrevista pelas vidraças, seus almoços de domingo, suas reuniões de aniversários, suas dificuldades financeiras.

O também saudoso e respeitado poeta Alencar e Silva lendo um poema para Armando Menezes, quando o “Chá do Armando” acontecia ainda nas dependências da Academia Amazonense de Letras, em 2004. | Foto: Divulgação/PVA.

O “Chá do Armando”

Desde agosto de 2003, o escritor promovia encontros de intelectuais, amigos, artistas e pensadores no famoso “Chá do Armando”, às sextas-feiras, a partir das 17h. Armando contava que o Chá surgiu quando o escritor Max Carphentier, à época presidente da Academia, avisou que na próxima sexta-feira não teria o “Chá do Armando”, porque era feriado do dia 5 de setembro, então foi nesse momento que nasceu o Chá. Após 10 anos de encontros, o “Chá do Armando” ganhou um livro produzido pelo escritor Almir Diniz, no qual ele reuniu crônicas, contos, prosa e poesia que surgiram no decorrer dessas inúmeras reuniões.

O Movimento “Patologia Cultural”

“Armando Menezes não era apenas um grande escritor e respeitável intelectual não. Era, sobretudo, um grande ser humano, gentil demais, cortês, elegante, educado, carinhoso e humilde. Interagia com quem quer que fosse. Era uma alma preparada para o mundo. Essas e muitas outras razões nos motivaram a homenageá-lo para sempre, porque, sem hipocrisia nenhuma – embora muitos discordem, e eu respeito –, quando morre um autor, a sua obra e a sua memória morrem com ele também. A obra e memória de Armando viverão para sempre”, disse Paulo Queiroz, escritor presidente da Alcama e Abeppa, e idealizador do Movimento.

Homenagem perene: escritor Paulo Queiroz, idealizador do Movimento “Patologia Cultural”, com Armando Menezes na Academia de Letras do Brasil. | Foto: Synthia Queiroz/PVA.

O Movimento “Patologia Cultural” nasce a partir dos efeitos isoladores da pandemia, e do afastamento humano, da proibição dos saraus públicos, e da saudade acentuada que ‘adoeceu’ a todos. Por isso, a designação “Patologia”. O vocábulo “Patologia” serve para, analogicamente, dar um sentido de ‘doença’ (saudade, solidão, vontade da liberdade, vícios culturais, ‘loucura’ pela poesia, pela literatura e pela arte como um todo). A figura do patinho lindo e colorido (que ilustra o logotipo do Movimento) é apenas uma maneira icônica de empregar à semiótica da marca a alegria visual de viver de cultura, e para dar sentido à partícula inicial do termo.

O Movimento “Patologia Cultural” é gratuito e aberto a todos, de qualquer lugar, gênero e opção sexuais, classe social, religião… | Imagem: Synthia Queiroz/PVA.

O Movimento é de responsabilidade da Associação Brasileira de Escritores e Poetas Pan-Amazônicos (ABEPPA) e da Academia de Letras e Culturas da Amazônia (ALCAMA), e acontecerá regularmente toda última sexta-feira de cada mês, às 19hs, em lugares diversos, com música, poesia, jornalismo, música, pintura, direito, literatura, arte, educação, ciências, teatro, artesanato, funcionando como um grande sarau aberto, onde cada segmento poderá expressar, discursar, declamar, descrever artística, solene e formalmente o seu trabalho.

Desde agosto de 2003, o escritor promovia encontros de intelectuais, amigos, artistas e pensadores no famoso “Chá do Armando”, sempre às sextas-feiras. | Foto: Divulgação/PVA.

Uma matriz diferente

Embora tenha sido originalmente inspirado no projeto “Chá do Armando”, o Movimento “Patologia Cultural” se dará em moldes diferenciados, e ocorrerá mensalmente em homenagem perene ao escritor Armando Menezes, com a sua foto emoldurada e em cavalete sempre exposta no local do evento. A estrutura (alimentos, bebidas, demais logísticas – caso sejam necessárias) do evento será de incumbência de todos os envolvidos. O evento funcionará como segue:

  1. O evento sempre será gratuito e livre para todos, de qualquer lugar, gênero e opção sexuais, classe social, religião…
  2. Os participantes deverão se inscrever previamente;
  3. Todos deverão ser identificados com crachá institucionalizado e com camisa específica do Movimento, que serão fornecidos;
  4. Para a manifestação pública durante o evento, todos deverão se inscrever ordenadamente;
  5. Não serão admitidas manifestações partidárias e de ideologias político-partidárias, porém, todos (inclusive políticos e correlatos) poderão participar livremente;
  6. Durante as apresentações, o respeito, a atenção e o prestígio, em relação ao trabalho do outro, deverão nortear a postura de todos os participantes;
  7. Os locais onde acontecerão os eventos poderão ser permanentes ou itinerantes, de acordo com a disponibilidade, o que será verificado sempre com antecedência pela Coordenação;
  8. Os participantes podem levar acompanhantes, mas apenas os inscritos efetivamente se pronunciarão de maneira formal;
  9. A lista de participantes inscritos será sempre previamente publicada;
  10. A transmissão do evento ficará ao encargo da Rádio Cultural da Amazônia e do Portal Voz Amazônica, agentes de Comunicação pertencentes à ABEPPA e à ALCAMA.

A primeira edição – histórica e inaugural – do Movimento “Patologia Cultural” acontecerá no dia 30 de abril de 2021, às 19h00, em local a ser informado, e contará inicialmente (por motivo de segurança sanitária) com apenas 20 inscritos, na ordem abaixo:

A primeira edição – histórica e inaugural – do “Patologia Cultural” contará (por motivo de segurança sanitária) com apenas 20 inscritos. | Imagem: Synthia Queiroz/PVA.

O objetivo do Movimento “Patologia Cultural” é, entre outras coisas, a perenização da obra e memória de Armando Menezes, e também: a expansão da cultura, a democratização dos espaços literários e culturais, a descoberta e revelação de novos talentos, o estreitamente da convivência pacífica entre os povos, e o respeito humano. Os membros da Coordenação Geral do Movimento serão escolhidos nos próximos dias.

Da Redação: Synthia Queiroz

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