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EM HOMENAGEM AO IDOSO

A humanidade jamais poderia imaginar que em pleno século 21, a partir do início do ano de 2020, seria vitimada pela maior pandemia que já se abateu sobre a Terra, apesar de tantas conquistas na Ciência e na Tecnologia. Um vírus avassalador, capaz de destruir o corpo humano como um todo, começou a infectar qualquer ser humano que o desafiasse ou não tivesse o mínimo poder para evitar a sua contaminação. Trata-se da Covid-19, nome abreviado e que vem desafiando os mais renomados cientistas, estudiosos e doutores em infectologia, doenças terminais e outros. E para piorar essa mortandade avassaladora, a vírus persegue os idosos, como suas principais vítimas. Por que o ser humano mais frágil foi sentenciado sem apelação?

A vida sempre foi uma trajetória repleta de desafios e conquistas, desde o nascimento, até o dia final da existência. Nessa trajetória, o ser humano jamais deverá deixar de sonhar e realizar tudo o que pensa sob pena de passar pela vida – mas não viver, como bem disse o poeta Olegário Mariano, quando sentenciou: “Quem passou pela vida e não sofreu, foi espectro de homem – não foi homem; Só passou pela vida – não viveu. …”

Sonhar constantemente, realizar sempre, buscar o sucesso, não desistir nunca de seus objetivos e ideais é a marca fundamental para valorizar o ser humano no dia a dia. A vitória é uma resposta da luta indormida, resultante das estratégias de cada ser humano na condução do seu destino. Trabalhar sem perder a aptidão e o amor pelo que faz sempre disposto a enfrentar sacrifícios, renúncias, agindo com a dedicação necessária a fazer o melhor de nossa competência, superando o desânimo, o abatimento, as dificuldades, é a mais apropriada estratégia dos bem-sucedidos.

A juventude é bela, mas poderá ter uma trajetória de fracassos, por isso, a maturidade deve ser alcançada com sabedoria, sendo bem conduzida na busca de um constante aprendizado, com equilíbrio e disciplina. Quem não aprender a viver, jamais aprenderá a ser feliz…por isso a velhice é digna de ser exaltada! Em boa hora a Organização das Nações Unidas determinou 1º de outubro para o dia do idoso.

Somos todos, uma consequência do tempo e das nossas atitudes. A felicidade não tem idade e jamais terá. Ela tem fases, ela vem e vai com o tempo, e saber possuí-la a maior parte desse tempo em nossas vidas, é a receita que define a competência de cada um, ao saber conviver com o que Deus lhe deu. Amar sem cobranças faz parte dessa receita. É com a idade, que aprendemos o significado maior do amor…

Ninguém é feliz por ser criança, jovem ou velho. Só conquistamos a felicidade, quando não exigimos mais do que possuímos para sentir esse prazer, independente da idade. Há quem seja feliz sem nada possuir, e os que jamais conseguem sorrir com um tesouro de bens materiais à sua disposição. A felicidade se agasalha na riqueza permanente do espírito, e não na riqueza efêmera da matéria.

Quem sabe cultivar um espírito jovial e alegre permanece alheio ao envelhecimento do corpo, porque a mente conduz ao coração o comportamento necessário a manter em cada um de nós, o otimismo da vida, que renasce a cada manhã e morre um pouco a cada pôr do sol. A idade madura, longe se ser uma humilhação do corpo é a vitória do espírito sobre a mente, é a prova de viver com sabedoria, usando a Ciência que se transforma a todo instante; é a pratica sistêmica do esporte, que mantém os músculos sadios; é a disciplina que promove o bem-estar social e o equilíbrio da vontade.

Na arte de empreender reside uma grande diferença entre a mocidade e a velhice. Está nessa arte, a maior prova do valor dos mais velhos. Necessariamente, os empreendedores novos não são os mais jovens, pois a história tem demonstrado que, grandes homens conseguiram sucesso após os cinquenta, sessenta e até aos oitenta anos. Leon Tolstói alcançou sucesso aos 56 anos com o livro A Morte de Ivan Ilitch; Charles de Gaulle tornou-se herói aos 68 anos, quando sufocou a rebelião da Argélia, e Bertrand Russel, filósofo inglês, aos 88 anos criou o Comitê dos 100 para lutar pelo desarmamento mundial.

No Brasil temos o exemplo do empresário e intelectual Roberto Marinho, criador da Rede Globo de Televisão, depois dos 60 anos de idade, e a poetisa Cora Coralina, descoberta aos 80 anos, quando despontou com a sua bela poesia. Advertindo o comportamento dos mais velhos no mundo dos negócios e no trabalho, o autor Alex Comfort, citado por João Bosco Lodi no livro O Fortalecimento da Empresa Familiar, 3ª edição; Editora Bisordi Ltda., SP, adverte sobre as vicissitudes da velhice: A verdadeira maldição da velhice é a expulsão do trabalho, o ócio degradante, o não-uso, não ser chamado mais para contribuir, daí ser posto de lado como uma pessoa apagada, sem interesse público, instruído para viajar e praticar esportes, até que a morte o chame. (Pág.27).

Alguns jovens, malgrado a capacidade de adquirir com muita rapidez e eficiência, conhecimentos técnico-científicos sobre variados assuntos, não se libertam da impetuosidade, e sentem a ausência da experiência que só o tempo oferece. Empreender, criar, inovar, aplicando os recursos economizados durante parte de sua vida, nada é mais justo para dignificar a velhice com sucesso, experiência e sabedoria. A estratégia de envelhecer e enriquecer é mais eficaz do que a que nos leva a enriquecer sem dignidade para envelhecer.

Quando se mescla a experiência e a sabedoria dos mais velhos, com a força da juventude, há uma lógica anunciando o sucesso. Mesmo assim, podem se equivocar os experientes e fracassar os inteligentes. Não se podem comparar a gama de informações em obras, histórias de sucesso e de fracassos disponíveis na internet e nos mais diversos meios de comunicação do século 21, com o que havia no esplendor da revolução industrial do século 19. Essa transformação vem igualando a todos no tempo.

A comunicação era mais lenta, a tecnologia não gozava das inovações de hoje, a Ciência disputava seus conceitos, preocupada com a religião, mas nos dias que correm, Ciência e Tecnologia estão abolindo os preconceitos contra a velhice, e a vida vem se transformando numa criação divina cada vez mais fácil de nos fazer felizes. Podemos ser jovens espiritualmente, apesar da idade avançada, ou podemos envelhecer nosso espirito, se não temos sabedoria para empreender com sucesso e competência para persistir. A velhice já provou que é um estado de espírito.

Erasmo de Roterdan, no seu “Elogio da Loucura”, perguntou: “Afinal, toda a vida dos mortais que é, senão uma peça de teatro, na qual todos aparecem com o rosto coberto de máscaras e desempenham o seu papel até que o corego os faz sair de cena?

Da Redação:

Gaitano Antonaccio para o Portal Voz Amazônica e para a Rádio Cultural da Amazônia

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