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Lula está para Bolsonaro, como Bolsonaro está para o povo: prognósticos nada certos sobre as incertezas

Petistas e bolsonaristas se odeiam, mas têm uma coisa em comum com “Vicentão” e “Cabo 70” (os dois tíbios personagens de “O Auto da Compadecida”)… Eles ambicionam “Rosinha” (às avessas). Ambos brigam pelo amor da “grande quenga” sempre explorada. Tudo está se distorcendo, apesar das gigantescas interrogações.

Nunca é cedo demais para se debater eleições majoritárias no Brasil. É sempre tempestivo sim se discutir o futuro da nossa nação, sobretudo quando a nossa nação acaba de sentir uma coisa inopinada e que era considerada fora de cogitação: a reinserção de Lula no tabuleiro do folguedo político. E esse fato é o que se pode verdadeiramente denominar de superveniente, e com ele vieram na proa de uma canoa assombrosa: a efervescência, o acirramento, a porfia, a malquerença, a expansão da cólera, e tantas outras sensações peculiares, mas nenhuma delas ganha da ‘dúvida delirante’.

Lula e Bolsonaro, uma (con)fusão de fanatismo e idiotismo dentro de uma ampulheta avexada | Foto: Divulgação/PVA.

Muitos eleitores do presidente Bolsonaro deixaram de respeitá-lo e de acreditar em sua vocação governativa, tanto pelas atitudes (verbais também) esdrúxulas dele (e dos filhos), quanto por causa da postura pública de muitos bolsonaristas “fundamentalistas” (nesse caso, importa redundar: há exceções sim!). Coisa semelhante se abateu sobre Trump, cuja popularidade se mascarou de tal forma que o fez se sentir triunfante no pré e no pós amargor da derrota democrática. O povo deixou de admirar Bolsonaro, e isso ainda está um tanto ‘oculto’. É mais ou menos (talvez mais) como uma música que a gente adora, e que passou a repugnar porque um psicopata impiedoso colocava ela para tocar sempre que esquartejava uma vítima sua.

Lula está para Bolsonaro (vingativo, agressivo, ominoso…), como Bolsonaro está para o povo (excretando, aviltando, desdenhando…) | Foto: Divulgação/PVA.

As incertezas políticas, apesar dos prognósticos que estão nas bocas de muitos, permeiam o nosso futuro – mais uma vez – com um pluralismo sem precedentes. Eleitores do ex-presidente Lula, por sua vez, estavam desacreditados nele porque confiaram sem reservas na Justiça e na punição que recaiu sobre ele, e o abandonaram. A Justiça, aliás, ao que parece – pelos indiscutíveis indicativos – cometeu erros insanáveis. E nesse particular, importa dizer que a (in)Justiça nunca será capaz de restituir ao injustiçado o que dele subtraiu com os seus efeitos. Mas o povo tem esse poder. O povo pode restituir em dobro o que ele desejar! Porém, para que Lula possa tentar recuperar a sua popularidade (tarefa quase quimérica), precisa doutrinar melhor os petistas.

É, os petistas abusam demais do vermelho, e essa cor linda e mal usada já deu nos colhões. Os petistas precisam renunciar aos vocativos: “companheiro”, “burguesia”, “comunismo”, “elite”, etc., porque isso também já enojou dentro do vernáculo abrasado dos fanáticos, esses que esconderam a sua estrela vermelha debaixo do lençol da vergonha. Aliás, é preciso ensinar verdadeiramente aos esquerdistas o que significa capitalismo, porque ainda não sabem. De igual modo, é imperioso ensinar aos direitistas o real sentido atribuído ao comunismo. Nem um, nem outro, sabem o que é isso e nem o que é aquilo. Os bolsonaristas também exorbitam no emprego de expressões igualmente nauseantes: “fechado com Bolsonaro”, “meu capitão”, “etc… Misericórdia! E pra não dizer que tudo é assim tão ruim, o “motejo” que ainda se salva é: “O Brasil acima de todos. Deus acima de tudo!”.

Dúvidas, divisões e incertezas sobre em quem votar daqui a muitos. E essas dúvidas só tendem a sofrer expansão | Imagem: Synthia Queiroz/PVA.

Diante de tudo isso, e depois que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a sua injustiça a Lula, pelo menos dez certezas bem incertas campeiam as nossas inconfiáveis mentes:

  1. Lula tem tudo para fazer Bolsonaro um presidente de um mandato só, caso as atitudes incultas e desastrosas da maioria dos petistas permitam isso;
  2. Bolsonaro, se for inteligente (daqui por diante, porque isso lhe faltou sempre), usará esse fato para mostrar que Lula pode ser mais livre do que um falcão, mas jamais representará alteridade apropriada para triunfar novamente;
  3. A decisão do STF, quando apreciada pelo Colegiado (e vai ser, em breve), poderá ab-rogar a decisão do ministro Fachin, e trazer Lula de volta ao plano sombrio da inelegibilidade;
  4. Ciro Gomes e Marina Silva, as figurinhas mais repetidas, chatas, incoerentes e doidivanas do álbum eletivo brasileiro, serão sempre “o de sempre e de novo novamente”: calafeto de buracos e remendo de ‘cenário manjado’;
  5. Dória e Hulk são inexpressivos, e, caso não existisse Bolsonaro, Lula os derrotaria nos mesmos moldes de Usain Bolt correndo contra um obeso. Dória é um paneiro cheio de vaidades, boçalidades e frescuras, e não possui talento político. Hulk é apenas um aventureiro que confia na fama;
  6. Os demais pretensos candidatos, e isso inclui Moro, Maia, Mandetta, e quem mais vier, inclusive os “nomes surpresas” (se houver), serão apenas “enchimento” (de saco também) nesse processo todo.
  7. Os bolsonaristas inflamados, aqueles que falavam “fechado do Bolsonaro”, e “meu capitão”, não têm mais o vigor de antes. Eles têm medo. Estão assustados, o que mostra que a sua ‘lealdade’ era pusilânime e ‘modista’. Eles não têm mais fôlego para o asqueroso grito de “o gigante acordou!”;
  8. Os petistas, esboçam uma saída tímida do casulo da ignorância e da estupidez, ávidos para gritarem coisas horrendas, do tipo, “o povo unido jamais será vencido!”, “um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos o Lula presidente do Brasil!”… Só Jesus na causa! Chega dessa baboseira!
  9. O povo está sim agora (e podem negar à vontade!) numa ‘sinuca de bico’, dentro de um cânion profundo de dúvidas, divisões e incertezas sobre em quem votar daqui a muitos meses que faltam. E essas dúvidas só tendem a sofrer expansão;
  10. Lula está para Bolsonaro (vingativo, agressivo, ominoso…), como Bolsonaro está para o povo (excretando, aviltando, desdenhando…). Disso é que se extraem as incertezas nada certas de coisas que não sabemos ainda, apenas presumimos.
Petistas e Bolsonaristas se odeiam, mas têm uma coisa em comum com o “Vicentão” e o “Cabo 70” (os dois tíbios personagens de “O Auto da Compadecida”) | Foto: Divulgação/PVA.

Os petistas e os bolsonaristas se odeiam, mas têm uma coisa em comum com o “Vicentão” e o “Cabo 70” (os dois tíbios personagens de “O Auto da Compadecida”): eles cobiçam uma “Rosinha” às avessas. Eles querem a “grande quenga” para terminarem de foder com ela! Podem discordar muito mais à vontade, mas uma única certeza não mora dentro desse grotesto universo da dúvida: os petistas lascaram o Lula, e os bolsonaristas estão lascando o Bolsonaro. Vamos aguardar os novos rumores certos das coisas incertas.

Da Redação:

Editorial de Paulo Queiroz para o Portal Voz Amazônica e para a Rádio Cultural da Amazônia

 

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1 comentário
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