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O DIVINO PERDÃO

Entregue à maldade extrema de homens que o queriam crucificado, surrado em via pública e submetido a escárnio jamais visto, sangrando e sofrendo dores físicas inimagináveis, todas suportadas pela fé inabalável no Deus que para aqui o enviara com a missão de proclamar a verdade, ensinando a bondade e a justiça, pregado em cruz entre dois malfeitores, Jesus, reunindo o pouco de forças que ainda lhe restavam de sua condição humana, pediu, em prece: “Pai, perdoai-os, porque eles não sabem o que fazem”. Nenhum outro exemplo de amor a tanto se assemelha e é o que se deve lembrar, ao que penso, no dia que os cristãos guardam como o da morte do Redentor da humanidade, a sexta feira santa, da paixão de Cristo.

Foi por nós todo o calvário, da coroa de espinhos ao vinagre na ponta da lança, para que se cumprisse o Plano da Salvação. O que aqui plantou não foi a prepotência, a vaidade, o orgulho, o ódio, a ira, o desprezo com que muitos, alguns até investidos de poder conferido por votos ou por dinheiro, mesmo o obtido de forma nem sempre perfeitamente explicável, tratam semelhantes seus, chegando a impor-lhes o peso de um joelho sufocante ou de socos e chutes que tiram a vida de negros, por não serem brancos, que violentam física e sexualmente mulheres na solidão de suas próprias casas, que deixam de injetar o líquido de uma vacina da esperança em meio a uma pandemia assustadora e crudelíssima, que surram e até matam os que não seguem as orientações tradicionais de escolhas sexuais. A concórdia, o respeito, a compreensão, o perdão, infelizmente continuam a não ser seguidos por muitos como síntese da mensagem que Ele deixou e que lhe custou a própria vida, como, aliás, estava escrito.

A Ele, o imolado, o sacrificado, o santo, minha quase poesia, que peço permissão para reproduzir:

JESUS CRISTO
Ao chegar já eras luz
o mundo nem te sabia
e te chamavas Jesus
filho de José, de Maria.
Os reis que te visitaram
até levaram presente
silentes estranharam
o contraste da humildade
e por força de luz forte
de estrela reluzente
que lhes mostrou o norte
protegeram sem saber,
para toda a Humanidade,
a vida do Cristo da gente.
Chegaste semeador
com a missão de pregar
aqui plantaste o amor
que tu vieste ensinar,
ao ódio disseste não
mostraste o dom do perdão.
Foste rei desde criança
distribuíste a bondade
mensageiro da esperança
missionário da caridade
às gentes sempre disseste
o bem que a todos fizeste
foi porque assim ordenou
o Deus que te enviou.
Agiste falando em Seu nome
superior e sagrado,
aqui só eras o homem
mesmo filho consagrado
por amor forte e profundo
do onisciente do mundo.
Sabias que te esperava
dos homens muita maldade
que crença não se mudava
com tanta facilidade
mesmo assim não desististe
e tudo quanto pregaste,
aquilo que construíste
salvaria a Humanidade.
Sofreste a coroa de espinhos
nos ombros o peso da cruz
eram esses os caminhos,
tortuosos e sem luz,
que precisavas percorrer
pra que todos a quem salvaste
com a dor que suportaste
jamais viessem a morrer.
Nem no gólgota demonstraste
qualquer arrependimento,
choraste a dor do momento,
humano que eras também,
entregando teu espírito
ao Pai disseste amém.
Em três dias retornaste
desta vez para ficar,
de novo ensinando a amar,
perpétuo, forte, radioso
espargindo paz e luz,
Filho de Deus, majestoso,
Glorioso Jesus.

Da Redação:

Lourenço Braga para o Portal Voz Amazônica e para a Rádio Cultural da Amazônia

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