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O FAZER POLÍTICO

Há algum tempo amigos e conhecidos, cheios de generosidade e de benevolência, estimulam-me a “entrar para a política”. Confesso que a simples cogitação é algo que me deixa feliz – e já realizado – sem a necessidade efetiva de disputar um cargo público ou de ser eleito, posto que, penso assim, a maior comenda que alguém possa receber é justamente aquela de natureza imaterial, que vem expressa pelo reconhecimento espontâneo e sincero de seus concidadãos.

O homem, no entanto, já dizia Aristóteles, por viver em sociedade, é um animal político. Vale dizer, em sentido moderno, no pleno gozo de seus direitos, não apenas pode, mas deve participar do governo de sua cidade, de seu estado e de seu país, direta ou indiretamente, de conformidade com o disposto nas leis, ocupando ou não um cargo de representação política. A nossa ação, ou falta dela, sempre trará repercussões nesse campo e, portanto, refletirá nos destinos da coletividade.

Em outras palavras, sobretudo nos dias de hoje, com a explosão das redes sociais, todos nós já estamos inseridos umbilicalmente na política, na exata medida em que podemos instantaneamente nos informar, opinar, divergir, postular, sugerir, ser ouvidos, nos mobilizar e nos alinhar, dentre tantas possibilidades, a uma ou outra visão de mundo, as quais gostaríamos de ver implementadas para melhor resolver os problemas coletivos. É fato que, por esta via, há exageros, destemperos, narrativas ou notícias falsas, coisas que contribuem para o empobrecimento do debate e que precisam ser refinadas pelo nosso bom senso. As novas ferramentas tecnológicas, todavia, não se pode negar, são extraordinárias, pois, além de tudo, são capazes de preservar ad aeternum a memória do que disseram ou do que fizeram, em especial, os homens públicos propriamente ditos, sejam coisas boas ou ruins.

Por último, quero dizer que o Altíssimo já me concedeu mais do que eu esperei, pedi ou mereci. Nas minhas atividades privadas tenho sempre procurado não o meu conforto, mas o bem coletivo, o que me completa e satisfaz. Quanto à sugestão dos amigos, agradeço pelo carinho e pela confiança. É um caso a pensar. Aguardarei o sinal de Deus, mas afirmo, desde logo, que essa convocação deva ser estendida, e é o que faço agora, a todos aqueles que, lá no fundo do peito, têm o desejo irrefreável de servir a comunidade, que amam e respeitam a sua terra e que não queiram fazer da política profissão, os quais, não tenho dúvidas, são muitos. E mais, que busquem estudar e entender o que representa a política de alto nível, pois ela não “é a guerra por outros meios”, não é jogo sujo e nem a troca de acusações, expedientes que, na minha interpretação, demonstram somente a falta de propostas, de argumentos sólidos e de caráter de quem as utiliza. A política verdadeira, a boa, a bela, a edificante, a que devemos buscar, enfim, é aquela que se mostra na arte de governar no interesse de todos. Disso e de gente assim estamos precisados.

Da Redação:

Júlio Antônio Lopes para o Portal Voz Amazônica e para a Rádio Cultural da Amazônia

 

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