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O JARDIM DA SAUDADE – PARA ALMIR DINIZ

Faleceu sexta-feira (28) o jornalista, escritor e poeta Almir Diniz de Carvalho, membro, dentre outras instituições culturais do estado e do país, da Academia Amazonense de Letras (AAL), do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação dos Escritores do Amazonas (ASSEAM), da qual, inclusive, foi presidente.

Diniz nasceu em 6 de novembro de 1929. Contava, portanto, com 91 anos, muito bem vividos. Ele foi prefeito e fundador do município do Careiro da Várzea. Era também advogado, inscrito na OAB-AM sob o nº266. Eu estreitei os meus laços com ele durante a gestão do nosso amigo comum Armando Andrade de Menezes na presidência da AAL, entre 2014 e 2015, quando, invariavelmente os dois, que coisa notável, ambos já em idade avançada, davam expediente diário na sede do silogeu, para a qual, aliás, Diniz foi eleito em 24 de setembro de 1999, assumindo a cadeira de nº5, cujo patrono era Araújo Filho, antes era Martins Jr, sucedendo a Paulo Pinto Nery. Como ele próprio descreve no fantástico “Acadêmicos Imortais do Amazonas – Dicionário biográfico”, de sua autoria, assumiu a titularidade em 24/09/1999, saudado pelo acadêmico José Braga, durante a gestão de Max Carphentier.

Como jornalista, Almir Diniz foi agraciado com vários prêmios, inclusive, com dois Prêmios Esso de Reportagem, nos anos de 1956 e 1957. O Esso era uma espécie de Oscar do jornalismo brasileiro. Ele trabalhou nos jornais Folha do Povo, O Combate, A CRÍTICA, O Jornal e, também, no Diário da Tarde. Escreveu os seguintes livros de crônicas, contos e poesias: Encontros com a natureza, Caminhos da Alma, Andanças poéticas, Os deuses, O elogio do caboclo, Plumas humanas, Algemas de ternura, O império das águas, Minha roça de urtigas, Floradas do corpo, O pitoresco e o hilariante na Imprensa, Paiol de lembranças, Nos remansos da saudade, Sob a concha da Panacaria, O capineiro, Agenda literária do Amazonas, além do Dicionário biográfico, já mencionado. Era um dos próceres do famoso Chá do Armando.

Num de nossos encontros pela manhã, na sede da Academia, a meu pedido, pude ouvi-lo declamar algumas de suas poesias. Uma delas, a que mais encantou e enterneceu o coração, a que considero uma das mais belas de toda a literatura brasileira, chama-se “O JARDIM DA MINHA MÃE”, que gravei no meu celular e disponibilizei na época na minha página de Facebook, e ontem repostei, porquanto foi um momento mágico e único que merecia e que merece ser compartilhado, melhor dizendo, merece ser eternizado. A propósito, o movimento Manaus+Verde, que propugna pela rearborização de nossa cidade, fundado pela minha filha Laís, editou o poema e o distribuiu nas escolas e nos eventos ambientais, em parceria, também, com a ASSEAM.

Diniz, no poema, fala da saudade de sua mãe Lídia, que cultivava aquele cantinho do céu em sua casa. Revisitando o espaço encantado e sentindo-se incapaz de cuidá-lo com o mesmo zelo, mas cheio de amor, resolve, afirma em seus versos, refazer o pomar, onde sua mãe ia orar, depois de saudar seu jardim… Descanse em paz, amigo e irmão. Sentiremos a sua falta, mas somos gratos a Deus por ter compartilhado a luz de sua existência.

Da Redação:

Júlio Antônio Lopes para o Portal Voz Amazônica e para a Rádio Cultural da Amazônia

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