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SAUDADES DA ZONA FRANCA

Manaus celebrou em 28 de fevereiro mais um ano da SUFRAMA – Superintendência da Zona Franca de Manaus. Recebo um WhatsApp de tia Idalina.

– Li que a Zona Franca faz aniversário. Pensei que tinha acabado.

Disse-lhe que o importante está vivo e produzindo muitas coisas, apesar de constantes ataques de empresários do Sudeste. A zona franca hoje é o nosso PIM – Polo Industrial de Manaus.

Mas para titia, a zona franca acabou faz tempo. Durante anos, quando vinha a Manaus, fazia compras e mais compras, naquela muvuca do centro da cidade. Os mais velhos se recordam. Lojas e lojas apinhadas de gente. As famosas importadoras.

Tia Idalina ainda tem em sua casa em Copacabana um filtro inglês, à base de carvão, comprado naquela época. Outra coisa que conserva com carinho é um conjunto de porcelana chinesa. Ela tem o jogo completo. Inclusive um enorme vaso, que decora sua casa já por décadas. Possui ainda dois conjuntos de faqueiros importados, que vinham num estojo de plástico muito prático de guardar. Ela tem dois, um prateado, outro dourado.

Há ainda em sua casa dois leões azuis de porcelana chinesa, com formato de pequenas carrancas. Ela diz que são guardiões e exerceram função protetora contra energias negativas. Tudo isso comprado nas importadoras do centro que durante anos fazia a alegria de turistas consumidores como Idalina.

Outras manias de titia eram as batas indianas e os lenços de seda. Numa de suas viagens, chegou a levar mais de 50 lenços. Foram confiscados pela alfândega. Sim! Tínhamos alfândega para sair de Manaus. Ela disse que era para presentear amigas e para uso próprio. Não convenceu o fiscal. Ficou só com uma dúzia.

A sorte foi que o fiscal não notou que titia levava seis relógios Seiko importados, dentro de um pote com doce de cupuaçu.

Outra coisa que titia sempre levava para as amigas de Copacabana eram uns famosos baralhos de plástico. O Brasil só produzia baralhos de papelão. Os de plástico aqui eram bem baratos e no Sudeste custavam o olho da cara.

Outra encomenda recorrente eram as famosas calças Lee. No Rio de Janeiro chegavam a custar cinco vezes mais caro. Os sobrinhos e amigos cariocas encomendavam também máquinas fotográficas Canon, aparelhos de som e videocassetes. Titia também fazia a festa com os tecidos importados. Uma variedade enorme de panos oriundos de diversos países do mundo.

Disse-lhe que isso tudo é coisa do passado. No que ela me respondeu.

– Morro de saudades… Dessa Zona Franca e dos voos da Varig.

Da Redação: Pedro Lucas Lindoso para o Portal Voz Amazônica e para a Rádio Cultural da Amazônia

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