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UM ANO DE PANDEMIA: SEGUIR EM FRENTE

No último sábado (13/03) fez um ano que a pandemia de coronavírus chegou ao Amazonas. No país ela aportou logo após o Carnaval. Desde lá vivemos momentos de muita tristeza, tensão e perplexidades.

Manaus, sobretudo, ficou marcada por uma série de fatos tão inusitados quanto negativos. O elenco é grande. Ela foi a primeira cidade em que o sistema de saúde entrou em colapso. Ganhou, logo de início, o noticiário nacional pelas horrendas imagens de carros frigoríficos nas portas dos hospitais e pelas covas coletivas destinadas a abrigar as vítimas da enfermidade. Teve casos de corrupção e de fura-filas. Experimentou a terrível crise da falta de oxigênio, circunstância responsável por dezenas de mortes e pelo pânico que se instalou naqueles dias. No final de 2020, quando se achava que o pior havia passado e as pessoas se encontraram para confraternizar depois de tanto tempo, eis que vem uma segunda onda e nos atinge de forma violentíssima 2021 adentro e, dela, ainda experimentamos os maléficos efeitos. Como se não fosse o bastante, surge com alarde nos meios de comunicação o espectro de uma “variante amazonense”, que seria mais letal ainda.

Nada disso nunca se apagará, haja vista que cada um de nós perdeu um parente, um amigo, um conhecido… Nem sabemos, em verdade, se nós seremos ou não atingidos. E estamos aqui, eu estou, com o coração despedaçado com essa experiência dantesca que só algumas gerações, na história da humanidade tiveram de enfrentar.

O que fazer, então? Seguir em frente, enquanto podemos e enquanto for da vontade de Deus. Mas, seguir em frente tirando lições de nossos erros. Seguir em frente lembrando que, mesmo nos piores momentos, houve ações e exemplos de que nos devemos orgulhar, como a corrente de solidariedade liderada por alguns artistas do Brasil que ajudaram o Amazonas com balas de oxigênio e, também, que houve estados amigos, os quais receberam os nossos doentes quando a nossa capacidade se exauriu e perdíamos as esperanças. Seguir em frente sem esquecer das milhares de pessoas e entidades civis, empresariais e religiosas que se mobilizaram para obter e doar aos necessitados uma série de itens de segurança em saúde e cestas básicas. Seguir em frente sem se deixar contaminar pelo viés político-ideológico empregado por alguns, em especial por aqueles que apostam no quanto pior melhor, que só criticam, que nada veem de positivo e que espalham o terror para se aproveitar da desgraça geral e tentar promover a volta dos cupins da República, de que falava Ulysses Guimarães, ao poder. Seguir em frente, sim, mas procurando fazer o nosso melhor, com fizeram os incríveis profissionais de saúde, que deram seu sangue, suor, lágrimas e até suas vidas em prol do bem comum.

O país está enlutado, e boa parte dele fraturada. Quem bom seria se essa gente que fomenta a divisão, lembrasse das palavras de Abraham Lincoln no discurso proferido na dedicação do Cemitério Nacional de Gettysburg, lugar onde ocorreu a batalha que pôs fim à guerra civil americana: “Cumpre que todos nós aqui, solenemente admitamos que esses homens não morreram em vão, que esta Nação, com a graça de Deus, renasça na liberdade, e que o governo do povo, pelo povo e para o povo jamais desapareça da face da Terra”. Que assim seja com o nosso Brasil.

Da Redação:

Júlio Antônio Lopes para o Portal Voz Amazônica e para a Rádio Cultural da Amazônia

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