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UM VÍRUS SUBJETIVO, A METANOIA E A VACINA PARA O ÓDIO

O homem é um ser vulnerável aos sentimentos. Os bichos, ao contrário, são propensos às sensações. Bichos não odeiam, mas se embravecem. O homem, por sua vez, necessita do ódio para a sua sobrevivência, assim como necessita de uma vacina para não ser extinto por um vírus letal qualquer. A raiva é uma doença, o ódio uma condição. Para aquela existe vacina, para este ainda não, e a despeito da rima, é muito delicada a nossa situação. Para onde vai o seu ódio?

Uns odeiam os governantes porque eles falam impropérios demais, ou porque prevaricam na guerra, quando deveriam ir para o campo de batalha. Outros odeiam um alguém, porque este faz coisas que eles não conseguem fazer, porque ele faz coisas, enquanto eles só criticam e esperneiam e odeiam. Uns tantos odeiam um outro, porque este não os bajula, não os procura, não os adula. Milhões odeiam a cura, a possibilidade de sobrevivência, a libertação do mal, apenas porque a solução – que nunca parte deles – agride a sua convicção ideológica perniciosa, amparada pelo lastro de seu fanatismo político. Para onde vai o seu ódio, quando você dorme ou quando faz amor? (Se é que faz tais coisas)… Ou ele nunca sai de você?

O ódio turva os olhos insanos, ensurdece a alma débil, aprisiona o espírito rude e incauto. A vacina, por outro lado, pode ser a chance de transformação de caráter, de ponto de vista, de ideia, aquilo que Platão pretendeu difundir no mundo como “Metanoia”: um ‘experimento’ que expande a percepção e promove a visão racional pelo viés da verdade, da realidade, e não do ódio ou do fanatismo. A vacina eficaz – seja ela qual for – é a “Metanoia” que mudará o conceito plural de vírus, e certamente extinguirá essa ‘promiscuidade’ de entendimento irresponsável que muitos têm acerca dele. O Coronavírus é subjetivo, quando deveria ser consenso, porque ele mata, liquida, pulveriza povos, e quanto a isso não há equívoco, há apenas tolices e leviandades. Para onde vai o seu ódio?

Não há impedimento para a cura, pois a cerca que intenta obstaculizar o seu avanço é abstrata e desprezível: o ódio ideológico. E isso é perfeitamente transponível e superável, com uma simples e única dose da vacina “Metanoia”, que já estará disponível em alguns dias. Nem precisa ter dinheiro ou riquezas para tomá-la, e não precisa ter ‘nome’ ou posição social para o seu usufruto. Basta apenas ter sobriedade e despojamento, ao que a maioria denomina de humildade, para a cura do ódio ideológico, e para, enfim, a erradicação deste mal (modinha) dos dias atuais.

O vírus é contagioso e mortífero, e o ódio ideológico também é. Para ambos, a vacina é a solução, mas para este último – que pode ser persistente e perenal –, talvez seja necessária mais de uma dose. Contudo, se você não anseia a cura, não impeça o outro de querê-la, de almejá-la, doutrinando-o, inflenciado-o, ou – num caso ainda mais deliberado e fundamentalista – proibindo-o (como alguns fazem com idosos e crianças) de ser sarado dessa afecção terrível que é a Covid-19. Dê-se a liberdade da cura, mas também é seu o direito arbitral de não fazê-lo, e de querer morrer. Porém, o direito de cercear o outro ao direito à vida, nunca lhe pertencerá. Para onde irá o seu ódio, quando você abrir os olhos? Vacine-se, antes que seja tarde demais!

Da Redação: Paulo Queiroz para o Portal Voz Amazônica e para a Rádio Cultural da Amazônia

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